Segunda-feira, Julho 13, 2009

Never give out your password or credit card number in an instant message conversation

E nao divida seus anseios muito ansiosamente.

Sem segredos

O armario pequeno nao possuia compartimento secreto, entao tive que criar um.
Arrumei a cama so para bater a foto.
Meu carrinho de compras é amarelo.

Dor pontuda

A primeira lagrima longe podia ter acontecido perto. A distancia nao tem nada a ver com isto.

Quinta-feira, Julho 09, 2009

Superexigida

“Eu disse a uma amiga:
— A vida sempre superexigiu de mim.
Ela disse:
— Mas lembre-se de que você também superexige da vida.
Sim.”

(Clarice Lispector, Aprendendo a Viver)

Quarta-feira, Julho 01, 2009

Entre um olhar e uma estrela

Entre um olhar e uma estrela
Há uma troca não-linear
De mensagens sem sentido
Em recíproco sentido
E freqüência irregular
Há uma reta que dois pontos não definem...
E variável
De infinita a infinitesimal!

Entre um olhar e uma estrela
Não há leis da natureza,
Nem regras de geometria...
As distâncias não se medem
As posições não procedem
E o Princípio da Incerteza
É condição fundamental!

Entre uma estrela e um olhar
Movimentos são perfeitos
E transcendem aos conceitos
De vetor ou escalar...

Entre um olhar e uma estrela
A liberdade é integral!
Desconsidera-se... e pronto
O aspecto contraditório
De suma elasticidade
Com natureza pontual!

(Porto Alegre, 21-03-1971. De um estudante cursando Física I, novato e apavorado, solitário em uma noite estrelada, encostado na cerca de pátio da pensão do velho T'Aberto, olhando para cima...)

Miss Bixo 2003

Apresentador: Qual é o seu nome?
Candidata: Walquíria! Mas pode me chamar de Wal...
Apresentador: E qual o seu sobrenome, Wal?
Candidata: Pode ser o seu...

Revolução

Mudança
Radical
Pela faca
Não emplaca
E pega mal

Mudança
Se mansa
Se cansa
E não vem.

Da época em que eu lia livros...

"Antigamente, quando os homens viajavam a pé, montados em cavalos ou singrando os mares, a própria viagem acostumava-os às mudanças. As paisagens mudavam lentamente diante dos olhos; o cenário do mundo ia se alterando pouco a pouco. As pessoas dispunham de tempo para absorver os novos panoramas. (...)
Hoje, nada mais resta dessas gradações. Num mesmo dia, o avião nos arranca violentamente da neve e do gelo e nos atira na abrasadora voragem dos trópicos. De repente, num esfregar de olhos, encontramo-nos no meio de um inferno úmido. Começamos a suar. Ao chegar do inverno europeu, logo arrancamos casacos e suéteres. São os primeiros gestos dos homens do Norte ao chegarem à África."
(Ryszard Kapuscinski, Ébano - Minha Vida na África)

Una experiencia personal inolvidable

Hace seis meses yo volvía de Buenos Aires y empezaba a tomar las clases del cuarto año de Ingeniería Química. No hablaba el español todavía, pero ya me había decidido a estudiarlo. La comida, el tango, la lengua - todo en la Argentina me encantó. Empecé a tomar clases de español en la misma semana.

No veía mis compañeros de clase hacía mucho tiempo, pues había estudiado seis meses en Francia, lejos de todo y todos. Extrañaba mucho las personas y los sitios. Entré en el aula muy contenta y luego me puse a besar los amigos y charlar sin parar. Tenía muchas preguntas para hacer y también muchas para contestar. Fue cuando lo vi. Cuando lo vi a él, cesé de ver a los demás.

Pronto supe que estaba perdida. Nadie me cree cuando lo digo, pero es la verdad más pura. Mis ojos se desorbitaran, mi cuerpo entero recibió los mismos signos. Él llevaba gafas y vestía un chándal gris demasiado ancho. El pelo castaño, lo llevaba corto, y tenía la piel muy clara, casi blanca. Nos quedamos un rato mirándonos, nadie lo percibió, nadie se dio cuenta a ese encuentro.

Lo que sentí no tuvo consecuencias fisiológicas que otras personas puedan percibir. No tenía el corazón acelerado, no temblaba, no presentaba confusión mental, no exhibía las mejillas rosadas. Simplemente había un sentimiento de tranquilidad y certeza.

Hace seis meses mi vida cambió. Sigo haciendo las mismas cosas que hacía antes, pero las encaro de manera distinta. Nunca he tenido ganas de pensar sobre lo que siento, de donde vino, si cambiará algún día. Lo que siente él sobre todo esto tampoco me interesa. Es deveras agradable esta sensación de plenitud. Me siento satisfecha. Enamorarse es siempre una experiencia personal inolvidable. Sobre todo por primera vez.

Terça-feira, Junho 30, 2009

Cantiga de Acordar

Foi um sonho bom/ Uma insensatez/ Há que pôr o chão/ Nos pés...

Domingo, Junho 28, 2009

Ser Amigo é...

Ir ao Villa Country com você e dançar até 5h da manhã.

Quinta-feira, Junho 25, 2009

Recomendações para sua viagem

- Não mate, não morra, não engravide e não beba nada que eu não beberia.

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Ofendida

- Eu estou brava com você, viu?
- Brava por quê, uai?
- Você me chamou de xucra!
- E você acha que isso é culpa de quem, minha ou sua?

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Sábado, Junho 20, 2009

Próxima fase

Indo trabalhar sabendo que é a última semana. Depois da avaliação de desempenho. Muito, mas muito longe do fim do projeto. Sentindo como se assistisse à aula daquela matéria da qual você já passou na P2. Uma sensação de missão cumprida, quase completamente engolida pela sensação de perda de tempo.

Tá na hora de ir para a próxima fase.

Terça-feira, Junho 02, 2009

Terapia

Depois da décima piada sem-graça:

- Fale a verdade, doutor. O senhor preferia quando eu estava deprimida, não é verdade?

Sábado, Maio 30, 2009

Inocente

- Que mãos grandes você tem...
- Olha que eu vou te dar a resposta do Lobo Mau...

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Quarta-feira, Maio 27, 2009

Culpado

- E antes que você diga alguma coisa, isto não é um defeito meu. Ou dele. Ou dele. É um defeito do Y, é um defeito cromossômico! Se quiser culpar alguém, então culpe Deus!
- Eu não acredito em Deus.
- Então culpe o Big Bang!

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Terça-feira, Maio 26, 2009

Tem dias que a gente se sente como quem partiu ou morreu.

Segunda-feira, Maio 25, 2009

Chico Buarque é um cretino

Ouça "Sem Fantasia" em dueto com Maria Bethânia. Depois ouça "Todo o sentimento", "Desalento" e "Bem Querer", e aí termine com "Atrás da Porta", na voz de Elis Regina. Você não concorda comigo?

Quinta-feira, Maio 21, 2009

Amor Condusse Noi Ad Una Morte

Quando o olhar adivinhando a vida
Prende-se a outro olhar de criatura
O espaço se converte na moldura
O tempo incide incerto sem medida

As mãos que se procuram ficam presas
Os dedos estreitados lembram garras
Da ave de rapina quando agarra
A carne de outras aves indefesas

A pele encontra a pele e se arrepia
Oprime o peito o peito que estremece
O rosto a outro rosto desafia

A carne entrando a carne se consome
Suspira o corpo todo e desfalece
E triste volta a si com sede e fome.

(Obrigada, Paulo Mendes Campos)

Segunda-feira, Maio 18, 2009

Ela não usa Black-Tie

- Bela gravata, senhorita. É para presente?
- Não, moço. É para mim.
- ...
- Tô brincando, moço! Pode embrulhar! Pode embrulhar!

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Maio Francês

Em maio de 68, os estudantes franceses revoltam-se contra a estrutura ultrapassada de ensino, tomando as ruas com barricadas que ficariam universalmente conhecidas como "as barricadas do desejo". Os jovens foram extremamente eficazes na propagação do movimento, provocando uma greve operária que envolveu nove milhões de trabalhadores e paralisou temporariamente a economia do país inteiro. Os slogans criativos eram grafitados pelos muros de Paris...

"A Felicidade é o poder estudantil"
"É proibido proibir"
"Quando penso em Revolução, quero fazer amor"
"Quando um dedo aponta a lua, o idiota olha o dedo"
"A imaginação está tomando o poder"
"Sejam realistas: peçam o impossível"

(E a greve na nossa Universidade, hein? Mais uma greve de maio sem razão, sem adesão, e desta vez sem o Brandão...)

Domingo, Maio 17, 2009

Milagre

Hoje eu fui à missa.

França/ 2005:

"Sinto falta das palavras, das suas especialmente, mas também das mais vulgares, também daquelas que a gente pesca no onibus ou nos para-choques de caminhoes, também das pérolas dos professores que se confundem, também das bagunças que so as criancinhas fazem com uma lingua. Sinto falta do meu portugues bom e forte, gostoso, abundante, boca aberta, sem biquinho e sem pudores - uma grande metafora daquilo que é o nosso pais, a nossa mulher, a nossa comida, o nosso clima. Sem pudores, sem medo, exagerado, sofrido e tocante. Eu reconheço o charme frances, mas nao é isso que me apaixona. Eu sou do partido da vida quente e escandalosa."

Sexta-feira, Maio 15, 2009


Quinta-feira, Maio 14, 2009

Marion

Ela morou aqui um ano e meio, um ano e meio atrás. Aqui, não: no Rio de Janeiro. Morou, gostou e voltou, desta vez para São Paulo. Serviu queijo brie com figo seco, e uma quiche de salmão especialmente saborosa. Riu muito, falou muito, perguntou muito, comeu muito. Uma francesa muito latina, essa! Que me fez lembrar do quanto eu gosto de descobrir pessoas. E pensar na oportunidade incrível de redescobrir em breve todo um país de pessoas.
E então, no sorriso de uma francesa que fala português com sotaque carioca, eu me vi em Paris daqui a dois meses, falando francês com sotaque toulousain...

Terça-feira, Maio 12, 2009

Da série "Conselhos Úteis"

"(...) Você quer saber se uma coisa dessas é possível? É SIM possível, eu não me surpreenderia... Não estou dizendo que é o caso; só voltei a isso na verdade para dizer que é possível graças a um fantástico fato do mundo: CABE MUITA COISA NUM CORAÇÃO, e, talvez mais assombroso ainda, TEM SEMPRE MUITA COISA LÁ!, sempre mais do que a gente pensa.

Não esqueça de você no meio dessa história, é a única coisa que me importa. (...)

Ao contrário da Mel, eu não mataria para ter um sentimento assim. Porque não preciso, eu TENHO sentimentos assim. E ao contrário de você, sou um imbecil ao lidar com eles. Então não estranhe se eu estiver preocupado demais e cheio de receios com você; é só um reflexo inconsciente desse ímpeto de se projetar um pouco na situação alheia para bolar conselhos. Ímpeto idiota..."

(De um amigo sensível e preocupado, direto do túnel do tempo...)

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Comida Japonesa

Não adianta. Quando eu como sashimi, sinto como se mastigasse minha própria lingua.

Domingo, Maio 10, 2009

Brincando de Manuel Bandeira

"Eu faço versos como quem chora
De desalento... de desencanto...
Fecha o meu livro se por agora
Não tens motivo nenhum de pranto

Meu verso é sangue, volúpia ardente
Tristeza esparsa, remorso vão
Dói-me nas veias. Amargo e quente,
Cai, gota a gota, do coração

E nestes versos de angústia rouca
Assim dos lábios a vida corre
Deixando um acre sabor na boca

-Eu faço versos como quem morre." (Desencanto, Manuel Bandeira)



Eu faço versos como promessa
De ser vertigem e ser linguagem
Fica comigo se tens a pressa,
O corpo quente, alguma coragem

Meu verso é sonho, prazer latente
Um grito forte chegando perto
Não me machuca. Serenamente,
Escrevo tudo, e então desperto.

E nestes versos de ânsia infinda
Não há registros do que não tive
Mas de vontades que guardo ainda

- Eu faço versos como quem vive.

Quinta-feira, Maio 07, 2009

HEAD OVER FEET (Alanis Morissette)

I had no choice but to hear you
You stated your case time and again
I thought about it
You treat me like I'm a princess
I'm not used to liking that
You ask how my day was
You've already won me over in spite of me
And don't be alarmed if I fall head over feet
And don't be surprised if
I love you for all that you are
I couldn't help it
It's all your fault
Your love is thick and it swallowed me whole
You're so much braver than I gave you credit for
That's not lip service
You are the bearer of unconditional things
You held your breath and the door for me
Thanks for your patience
You're the best listener that I've ever met
You're my best friend
Best friend with benefits
What took me so long
I've never felt this healthy before
I've never wanted something rational
I am aware now
I am aware now

Terça-feira, Maio 05, 2009

Tema: Minhas férias
(Duna do Pôr-do-sol, Jericoacoara - CE)


Amigas e namoradas

- Você já terminou com aquela lá?
- Qual o seu problema? Pare de falar mal das minhas namoradas! Uma era feia, outra era burra, outra era louca... Qual o problema desta? Ela é bonita, esperta e equilibrada!
- Muito básica para você.

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Dia Seguinte

- E esse frio na barriga que não passa...

Segunda-feira, Maio 04, 2009

Sinestésico

O melhor beijo do mundo tem gosto de vinho com cheiro de flor branca.

Domingo, Maio 03, 2009

Feito por mim

A matéria da qual eu mais gostava no último período da faculdade era a de Engenharia de Alimentos. Não que a professora fosse especialmente inspiradora ou que o assunto fosse profundamente instigante. Os laboratórios é que eram geniais.

- Mãe, adivinha o que eu fiz hoje?

E mostrava os potes de sorvete, o presunto, os pedaços de banana liofilizados. Era comida, gente, eu sabia fazer comida! Logo eu, que não sei cozinhar nem macarrao! E meu peito inchava de orgulho.

Pois esta semana me lembrei desses momentos. Minha irmã entrou na cozinha com aquele sorriso orgulhoso que minha mãe aprendera a reconhecer, e lançou a sentença:

- Mãe, adivinha o que eu fiz hoje?

Olhamos para o frasco nas mãos dela. Ninguém se atreveu a adivinhar o que ele continha. O sorriso permanecia.

- Supositório!

Fazer faculdade de Farmácia pode ser muito mais divertido do que estudar Engenharia...

Sábado, Maio 02, 2009

Dis-moi Comment (versão de Eu Te Amo, cantada uma única vez por Chico Buarque em 1994, em Paris)

Ah, si nous ne savons plus quelle heure il est
Si c'est mardi, si c'est le mois de mai
Alors dis-moi comment je dois partir

Si pour t'approcher
J'ai parcouru des routes dérobées
Les ponts derrière moi je les ai tous coupés
Où désormais pourrai-je revenir

Si nous, dans le ballet de nos nuits éternelles
Avons mêlé nos jambes, dis-moi quelles
Seront les jambes qu'iront me conduire

Si c'est dans ma peau que tu prends ta chaleur
Si dans le charivari de ton coeur
Mon sang s'est égaré, trompé de veine

Si dans le désordre de ta garde-robe
Voilà ma veste qui embrasse ta robe
Et mes chaussures qui se posent sur les tiennes

Si on ne connaît pas le mot de la fin
Si dans mes mains je garde encore tes seins
Avec quel masque puis-je m'en sortir

Non, tu ne peux pas rester là, l'air de rien
Je t'ai donné mes yeux, tu le sais bien
Alors dis-moi comment je dois partir

Sexta-feira, Maio 01, 2009

Pichado nas mesinhas do biênio (2003):

Vou-me embora para a UNIP
Lá sou amigo do rei(tor)
Lá tenho a ênfase que quero
Na Grande Área que escolherei

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Freud Explica

- Você é a minha mãe atéia!

Primeiro de Maio

No dia 1° de maio de 1886, em Chicago, cidade dos Estados Unidos em que o movimento operário era mais ativo, os trabalhadores marcaram uma greve geral para pressionar os patrões por uma jornada diária de oito horas de trabalho. A burguesia industrial, associada à prefeitura da cidade, desencadeou uma violenta repressão aos grevistas, que foram massacrados pela polícia e por pistoleiros profissionais. Todos os anarquistas conhecidos foram presos e julgados. Quatro dos líderes sindicais foram condenados à forca. Em sua homeagem, a Segunda Internacional declarou o 1° de maio como Dia Internacional do Trabalho.

Quarta-feira, Abril 29, 2009

Da importância da imprensa escrita

-Estou decepcionado com os sudokus do último mês. Estavam fáceis demais. Se continuar assim, vou acabar cancelando todas as minhas assinaturas. (Papai, assinante de dois jornais e uma revista)

Terça-feira, Abril 28, 2009

Mulheres Brother II

" (...) Porque nem
Toda brasileira é bunda
Meu peito não é de silicone
Sou mais macho
Que muito homem... "

Sábado, Abril 18, 2009

Desiludidas II

- Se eu acreditasse em Deus, virava freira.

Desiludidas

- Você acha que produção independente é uma coisa muito ruim?

Sexta-feira, Abril 17, 2009

Crônica de uma insônia
"A noite – enorme.
Tudo dorme
Menos teu nome."
(Paulo Leminski)



Faz frio mas não chove. E por cima das nuvens ressequidas se esconde uma noite enorme e omissa. Pilhas de livros para ler, um amor para esquecer, umas amostras para pesar. A noite pesa. Pesa toda a saudade de uma vez. Pesam as pálpebras exauridas. A esta altura não se quer ver mais nada.
Cerro os olhos. E ele, que eu nunca mais vi, e continua aparecendo? Que tipo de sono ele tem? A noite não responde, ela nunca se compromete. Não acho que ele goste da noite. Aliás, não acho que ele goste de nada. Uma estrela pisca. Pode ser um avião. Eu retribuo a piscadela. Mas eu sou tão idiota.
Mas eu sou tão idiota. Tento esvaziar meus olhos. Escolho a trilha sonora da noite e me concentro nos ouvidos. A música na minha cabeça embala os sonhos de alguém que, em algum lugar, consegue dormir. Viro para o outro lado. Faço caretas no escuro. Imagino como seriam no espelho. Imagino se os outros insones do mundo também fazem caretas. Podia ser que ele também não conseguisse dormir, e na lucidez da insônia sonhasse que me ama. Mas os sonos se desencontram. E uma noite omissa não toma providências.

Encore un matin (JJ Goldman)

Encore un matin
Un matin pour rien
Une argile au creux de mes mains
Encore un matin
Sans raison ni fin
Si rien ne trace son chemin
Matin pour donner ou bien matin pour prendre
Pour oublier ou pour apprendre
Matin pour aimer, maudire ou mépriser
Laisser tomber ou résister

Encore un matin qui cherche et qui doute
Matin perdu cherche une route
Encore un matin du pire ou du mieux
A éteindre ou mettre le feu
Un matin (un matin) ça ne sert (ça ne sert) à rien (à rien)
Un matin (un matin) sans un coup (sans un coup) de main (de main)
Ce matin (ce matin) c'est le mien (c'est le mien) c'est le tien (le tien)
Un matin (un matin) de rien (de rien) pour en faire (pour en faire)
Un rêve plus loin…

Encore un matin ou juge ou coupable
Ou bien victime ou bien capable
Encore un matin ami, ennemi
Entre la raison et l'envie
Matin pour agir ou attendre la chance
Ou bousculer les évidences
Matin innocence, matin intelligent
C'est toi qui décides du sens

Encore un matin qui cherche et qui doute
Matin perdu cherche une route
Encore un matin du pire ou du mieux
A éteindre ou mettre le feu Un matin (un matin) ça ne sert (ça ne sert) à rien (à rien)
Un matin (un matin) sans un coup (sans un coup) de main (de main)
Ce matin (ce matin) c'est le mien (c'est le mien) c'est le tien (le tien)
Un matin (un matin) de rien (de rien) pour en faire (pour en faire)
Un rêve plus loin…

(Obrigada, Camis )

Terapia IV

- Você fez isso, é? Mas que atitude mais burra!
(Olhar pasmo)
- Burra mesmo. Mas ninguém é perfeito, não é mesmo?
(Olhar mais pasmo)
- É bom que pessoas com personalidade obsessiva escutem que não são perfeitas de vez em quando.
(Olhar incrédulo)

****************************

- (...) A psiquiatria francesa é terrível. Muito, muito ruim mesmo. Dificilmente você vai achar um médico que preste por lá. A melhor psiquiatria européia é a alemã, da qual somos "discípulos", por assim dizer. Só lá é que você vai encontrar psiquiatras bons. Na França ninguém sabe nada. Boa é a nossa psiquiatria, de escola alemã.
- Começo a notar traços de uma personalidade obsessiva no senhor também, doutor...

Terça-feira, Abril 14, 2009

Un matin pour rien

Levantou cedo. Encore un matin pour rien. Mergulhou na água as colheres de cappuccino em pó. Saudades de tomar café com compreensão. Gostava do jeito do amigo dizer que sentia falta. Ela também sentia. Mas não se exprimia tão bem. Sempre fora de frases curtas. Parecia que tinha medo de se perder entre as palavras ou tropeçar nas vírgulas. Não era de vírgulas, não era de explicações. Tudo era conciso e definitivo, sem rodeios, só poesia dura.

Levantou devagar. Sentia o corpo cansado e suado, sentia o peso dos sonhos da noite inteira. Sorveu outro gole. Viciara em cappuccino desde que o último namorado se fora. Não conseguia mais tomar café puro, era demais para ela. Precisava de suavidade, de leveza, de leite na cafeína. Desistira da vida pura, implorava por açúcar e afeto.

Lavou-se com capricho. Vestiu-se com relaxo. Caminhou até a janela e espiou o céu de abril. Gostava de dias com sol, temperatura amena, sombras esparsas providenciais. Andou na calçada de abril marcando o passo com o salto. Abrir o armário e decidir Que altura quero ter hoje? Abrir a gaveta e decidir Quanta alegria quero ter hoje? Apenas um comprimido desta vez. E um modesto salto anabela. Vida dura, poesia pura. Misturara os parágrafos.

Entrou no prédio de escritórios, correu para a máquina de café. Outro cappuccino. Não queria ser presidente. O presidente bate fotos e sorri para as câmeras. Aparecia em revistas conceituadas. Sorriu pensando nisso. Tinha esquecido desse detalhe. Ele também gostava das câmeras das revistas conceituadas. Ela definitivamente não servia para a Presidência - entre tantos impeditivos, mais esse: não era fotogênica. Nem poderia dar entrevistas e palestras. "Meu nome é Mariana, gosto de cappuccino e literatura em português. Com açúcar e com trema, por favor."

Sentou diante do ecrã. Odiava essa palavra, ecrã, que ele usava indiscriminadamente. Em português ficava feio, e olha que ela não era de achar palavras feias. Encontrava beleza em quase todas, montava frases (curtas) como quem esculpe ou desenha. Não tinha um ouvido bom para música, não conseguia classificar as melodias em conjuntos menos abrangentes do que “agradável” e “desagradável”. Mas as palavras, essas ela sabia apreciar. Delas conseguia perceber o ritmo, adivinhar o gosto, delas extraía estímulos para todos os sentidos.

Começou a digitar. Fazia tempo que não escrevia sem pressa, sem destinatário. A chefe chegou, sentou, levantou, sumiu. Não leu nenhum dos cinco emails que mandara no dia anterior. Tant pis. A chefe não sabia nem usar cujo corretamente. Seus emails eram continuamente desperdiçados, mesmo quando lidos. Digitou por 20 minutos ininterruptos. Sorriu para si mesma. Escreveu um conto pequeno, finalmente uma manhã por algo.

Será que algum dia conseguiria se libertar da mania de metalinguagem?

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